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10 de Julho de 2008

Hoje é Dia da Pizza!!!!

foto da Cris
Como hoje é Dia da Pizza pedi ao chef Franco Ravioli que me desse a receita da Pizza Magistrale que ele criou especialmente para comemorar a data de hoje na sua Pizza Bros.

Vou dar a receita da cobertura porque a massa você pode comprar pronta, para não ter o trabalho de fazer num dia corrido como o de hoje. Outro dia dou a receita da minha massa de pizza, ok?

Vamos lá: a pizza Magistrale leva:

Pesto - no liquidificador - 1 maço pequeno de manjericão, 3 colheres de sopa de azeite extravirgem, 40 grs de nozes, 30 grs de parmesão ralado, sal e pimenta do reino à gosto

Creme - misture - 300 grs de mascarpone, 200 grs de queijo cremoso de cabra e 50 grs de azeitonas pretas picadas

Cogumelos - refogue - 2 colheres de sopa de azeite e meia cebola pequena picada, acrescente 150 grs de funghi secchi (já hidratados), refogue, sal à gosto e 1/4 de cálice de vinho branco.

Montagem - sobre o disco de pizza espalhe molho de tomate (não ensinei porque cada um faz ou usa o que estiver acostumado), depois o pesto. Leve ao forno alto para assar. Retire do forno, espalhe o creme de queijos e por cima os cogumelos. Salpique parmesão à gosto. Leve de volta ao forno só para dar uma aquecida leve e tire rapidamente.

Dica: cuidados com o creme de queijo no forno, tem que ser rapidinho só para aquecer, porque senão eles vão virando uma sopa.


HISTÓRIA DA PIZZA

A pizza é uma das receitas mais antigas de que se tem notícia. Segundo alguns estudiosos do assunto, ela surgiu antes da Era Cristã. Nos tempos de César, os nobres de Roma já comiam o pão de Abrahão (mistura de farinha, água e sal assada em forno forte), acrescido de alho e ervas. Uma iguaria que era chamada de piscea.

A palavra piscea, do latim arcaico, também aparece em documento medieval (ano 1000) e denominava uma massa assada, talvez coberta de peixinhos. Nos tempos primitivos uma pedra quente teria servido para assar a pasta que o homem aprendera a fazer com grãos de trigo triturados e molhados, cobrindo-a com qualquer ingrediente comestível.

Mais tarde a pizza era assada numa fôrma grande no forno do padeiro e cortada em fatias , com um recheio simples de cogumelo e anchovas. Ambulantes as vendiam nas ruas, tirando-as de altos recipientes de cobre que equilibravam na cabeça. Pessoas do povo as comiam no café-da-manhã, almoço e jantar.

À medida que se tornou mais popular, erguiam-se barracas onde era vendida a massa com o formato que o cliente pedia. Vários recheios foram inventados e o tomate passou a ser utilizado sobre a massa, antes do recheio.

O tomate chegou a Europa pelas mãos de Cristóvão Colombo, que trouxe da América algumas mudas do fruto. O sucesso foi tão grande que o pomodoro é hoje o principal ingrediente da pizza, depois da massa; além de ser amplamente utilizado na culinária italiana.

O hábito crescente contribuiu para a abertura da "Pizzeria", um local a céu aberto onde as pessoas se reuniam para comer, beber e conversar. Que mais tarde deu origem a Pizzaria dos tempos atuais.

Mas o grande impulso a difusão da pizza foi dado por uma rainha. No verão de 1889, os soberanos: rei Humberto I e rainha Margherita de Sabóia viajaram até Nápoles hospedando-se no Palácio Capodimonte. A rainha estava curiosa por conhecer as famosas pizzas napolitanas tão elogiadas por poetas e artistas. Não podendo ir, por restrições da nobreza, até a mais famosa pizzeria da época "Pietro Il Pizzaiolo", convocou o proprietário Don Rafaelle Esposito para fazê-las no palácio.

Pensando numa homenagem com as cores da bandeira italiana (branco, vermelho e verde), Don Rafaelle inventou uma pizza que levava o molho de tomate e era recoberta de mussarela, tomate e manjericão. A rainha gostou tanto, que ele teve a idéia de batizar aquela pizza com o nome da rainha - Margherita. A partir daí essa receita virou sucesso em toda a Nápoles e pelo mundo afora. Don Rafaelle Esposito foi registrado como o primeiro pizzaiolo da história.

12 de Junho de 2008

Feliz Dia dos Namorados!!!!!

Bonecos Guto e Guta da Chez Cris
Chambinho da Nestlé
Sonho de Valsa da Lacta

15 de Abril de 2008

A russa que devorava chocolates amargos ao amanhecer


Não gente, isso não é título de livro do Dostoiévski nem do Tolstói .

Era uma vez uma russa que tinha uma amiga brasileira chamada Carolina Arêas e tudo aconteceu num bate-papo logo cedo (atenção essa conversa é ficção armada pela cabeça de quem vos escreve!):

Ex-camarada (já com a bateria Duracellvski total) - E aí Carol, tudo bem com você?

Carolina (bem disposta também porque é terapeuta floral e já tinha tomado suas gotinhas matinais) -Tuuudo! Que animação!!! Tá feliz?

Ex-camarada - Tô sempre feliz! Aliás, aqui na Rússia a felicidade é total! (já disse que esse papo é ficção)

Carolina (cética -porque embora seja terapeuta floral acredita que nem tudo são flores): É!?!? E por que?

Ex-camarada - Todas as manhãs a gente tá comendo um pedaço de chocolate amargo, que nos deixa muuiiiiito felizes (esse que vos escreve particularmente achava que era a vodka russa que deixava todo mundo Skavurska).

A ligação encerra-se abruptamente - pu...pu...pu - mas a cética Carolina fica com o chocolate martelando na sua cabeça. E então resolve consultar um chocólatra: Eu! E chocólatra que se preza tem sempre várias desculpas boas para defender seu vício.

Carolina: Ale tem comprovação científica da felicidade russa?

Alessander (depois de várias consultas) : Tem sim, Carol. O chocolate pode aumentar o nosso nível de serotonina, que é responsável pela sensação de bem-estar, sendo eficaz no combate à depressão e ansiedade.

Carolina: Então esse é o segredo?

Alessander: Tem mais!!! (chocólatra precisa de muitos argumentos). A feniletilamina ou "hormônio da paixão" - assim chamada porque quando estamos apaixonados sua produção é aumentada pelo organismo - também está presente no chocolate. Por isso que o povo cai de boca nas barrinhas quando entra em deprê amorosa, para equilibrar a queda da produção corporal.

Carolina: (já contaminada pelo meu entusiasmo e o da amiga russa); Puuuxxaaa!!!

Alessander: O chocolate amargo (cacau puro que não teve adição de leite, gordura e açúcar) é o que tem mais vantagens pelo alto teor de flavonóides e antioxidantes que reduzem os riscos das doenças cardiovasculares. O cacau contém uma quantidade considerável de ácido oléico (também presente no azeite de oliva), protegendo as artérias e ajudando na elevação do bom colesterol e na diminuição do ruim.

Tudo com moderação! E aí vem à cabeça aquela música do Roberto Carlos, porque será que tudo que gostamos: "...é ilegal, é imoral ou engorda?"

20 de Março de 2008

Antes do fim

A ONU antecipou para hoje o Dia Mundial da Água, já que dia 22 cai no feriado de Páscoa e o negócio está muito sério para passar batido. Hoje 1,2 bilhão de pessoas sofrem com a escassez de água e 2,6 bilhões não dispõe de coleta de esgoto. A questão do saneamento é tão importante, já que água não se fabrica, que a Organização das Nações Unidas elegeu 2008 como o Ano do Saneamento. Façamos a nossa parte economizando o recurso e não poluindo o meio-ambiente. Só quem já sentiu sede sabe o quanto ela faz falta!

Enquanto isso naquele Salão Oval o presidente Bush comemora os 5 anos de invasão do Iraque. Em breve as 5 temporadas em DVD numa loja bem perto de você!

10 de Março de 2008

Registro valioso!

Já que falamos da chegada da Família Real ao Brasil e suas consequências, eis uma delas: em 1816, uma Missão Artística Francesa, funda no Rio de Janeiro a academia de Artes e Ofícios, mais tarde chamada Academia Imperial de Belas Artes. O pintor Debret integra essa missão e retrata acima a forma que se carregava o leite e abaixo a moenda da cana-de-açúcar. É a história contada pela pintura.

7 de Março de 2008

100 Posts - 200 Anos

E, curiosamente, no meu post de número 100, vou falar dos 200 anos da chegada da Côrte Portuguesa ao Brasil. Dizem que na data de hoje chegou em 1808 a Família Real e entre 10 mil e 15 mil portugueses no Rio de Janeiro. Todo mundo fugindo de um francesinho mão no peito e chapéu de barco chamado Napoleão Bonaparte. Depois de uns 3 meses de viagem dura chegam por cá as pratarias, louças, livros de receita, paladares apurados e uma nova forma de preparar e de encarar as refeições no Brasil. Mais molho para nosso caldo cultural que ainda engrossou muito ao longo dessas duas centenas de anos.

19 de Fevereiro de 2008

O que vai ser da ilha?

Frase do escritor Ernest Hemingway na parede de La Bodeguita del Medio

E Fidel realmente não aguentou, teve de renunciar dias depois do prefeito Gilberto Kassab proibir charuto nos restaurantes de São Paulo.

Cozinha Típica de Cuba
Pratos e petiscos
Moros y Cristianos – arroz e feijão preto cozidos na mesma panela com carne de porco.
Congrís – arroz e feijão vermelho cozidos na mesma panela.
Picadillo a la habanera – carne bovina ou de porco temperada com tomates, pimentão, azeitonas e uvas-passas. Pode ser servido com banana frita e arroz e ainda ovos.
Ajiaco – é o prato nacional. Guisado de vegetais feito de raiz de mandioca, nabos, cenoura, ervas, alho, cebola, pimentão verde. Pode ser feito com carnes de cedro.
Chicharrones de puerco – torresmos de porco.
Plátanos – bananas fritas cortadas bem finas.

Sobremesas
Guenguel – doce feito com milho moído, açúcar e canela.
Frutas frescas ou em calda – coco, goiaba, mamão papaya.
Sorvetes – baunilha e canela.
Arroz com leite
Pudim de leite
Goiabada com queijo

Bebidas
Champola – feita com guanábana, açúcar de cana e leite.
Guarapo – sumo da cana de açúcar com gelo. É comumente encontrado nas ruas da ilha, feito em pequenas prensas elétricas.
Pru – refresco originário do oriente do país feito a base de raízes. É digestivo e toma-se bem gelado.
Limonada – bebida feita e servida geralmente nas residências.
Café – servido em pouca quantidade e muito forte.
Sucos de fruta – preparados com água ou leite.

Bebidas alcóolicas
Rum – elaborado a partir do extrato da cana de açucar. O processo de envelhecimento é natural feito em tonéis de carvalho branco em ambiente com umidade e acidez controlados. O de maior prestígio internacional é o Havana Club, antes chamado Bacardí, fundado em 1878. Tem diversas categorias: Silver Dry, Anejo 3 años, Añejo 5 años, Añejo 7 años e Añejo Reserva.
Cerveja – as mais famosas são Bucanero e Cristal.
Daiquiri – feito com açúcar, suco de limão, gotas de marrasquino, rum branco, gelo picado. É servido em copo de champanhe.
Mojito – drinque feito de rum branco e seco, suco de limão, açúcar, gelo picado, soda e yerbabuena, uma erva parecida com hortelã (para decorar e dar sabor ao ser amassada). O escritor norteamericano Ernest Hemingway tornou a bebida famosa e a maioria dos turistas não deixa a ilha sem saborear este drink no bar preferido do escritor: La Bodeguita del Medio.
Cuba Libre – rum branco, cubos de gelo, refresco de cola, gotas de limão.


Pessoal queria dedicar esse post à Cuba. Quem souber de restaurantes, pratos, bebidas, etc que remetam aos costumes cubanos, por favor coloque nos comentários. Vale até receita tá?

10 de Fevereiro de 2008

O que fazer com os limões?

O dia já vai raiar e a noite brigou com o sono na tentativa de ganhar um pouco de atenção. Como pode a danada da lua mexer tanto com nossas cabeças? Ou será que somos nós que, mesmo dando um tempo da vida insana, não conseguimos desligar a chave? Sei lá! Só sei que será preciso agüentar o dia. Pobre dia, nada tem a ver com a história e terá de ser “agüentado”.

E lá vamos nós! Mas parece que tudo está errado. O jornal não traz notícias boas (aliás, nunca!!!), mais uma vez os políticos mexeram com nosso bolso (haja espírito!) e o ser humano está cada vez mais SER e cada vez menos humano. Não sei não, está tudo muito estranho. O errado já está quase virando certo. E o certo....alguém ainda sabe o que é?

Então vem a angústia e mais notícias Aqui Agora: “Fulano morreu”; “Beltrana está nas últimas” e um mais ousado brada ferozmente que o ciclo reprodutor das tartarugas das Ilhas Párgadas (gente nem sei se existem as tais ilhas e muito menos se nelas habitam tartarugas, tá!) está ameaçado pela política bélica, sabemos bem de quem. Enfim é o espetáculo gratuito da desgraça humana e a globalização do caos, que segundo os mercadores do apocalipse não requer prática e nem tão pouco habilidade.

Vida: azeda! Limões: azedos. Pensando em equação matemática: Vida = Limões. Não pessoal não vou aqui falar da limonada. Vou falar do bolo. Sim, vamos gastar um tempinho a mais conosco: preparar a massa, untar a forma, lamber a colher, colocar leite condensado no mais azedo suco de limão, ligar o forno e esquentar a alma, inalar aromas, espalhar a cobertura e incrementar a vida. Por fim, vamos saborear! E que mandem mais limões!
Gente esses bolinhos lindos foi a Cris que fez, quem quiser ver a receita está no blog dela http://ahtatudobem.blogspot.com/

2 de Janeiro de 2008

A Casa de Café do Vovô

E lá vão o Ale e a Cris rumo a Nova Petrópolis, reduto alemão, próximo a Gramado famoso por seus Cafés Coloniais. Não minha gente eu não tô falando do tipo: Noviças, Mestiças - aquelas freirinhas e mucanas perdem longe pra isso aqui. Não é aquele festival de salgadinhos fritos (fritos meesssssssssssssmo) e tortas com diversos sabores de nada.

Bom, o "the winner is..." por aqui é o Opa's Kaffeehaus, uma homenagem ao avô (Opa em alemão). O único café colonial do Brasil merecidamente estrelado pelo Guia 4 Rodas e agora pelo Guia Cuecas (hahahahaha!! Quem vai querer o Guia Cuecas?... Quem vai querer?...).

O negócio é um capricho! Vestidas com trajes típicos alemães, as moças vão colocando em sua mesa, primeiro ao redor do açucareiro como que formando uma flor, potes diversos - requeijão, requeijão temperado, nata, manteiga, chucrute (é alemão, né gente! e é muito bom), geléias variadas (todas feitas apenas com frutas), mel e aí cesta de pães especiais, frios, queijos, torta de cebola e requeijão, pastelzinho de palmito e tortinha de frango, linguiça cozida, mostarda (mais alemão aí gente), bolos (coco, chocolate com amêndoa, mel, maçã) e ainda tem um carrinho com tortas doces (um seis tipos). Também tem café, leite e um insuperável chá de maçã. Devo ter esquecido alguma coisa porque são 45 especialidades e todas com sabor diferente e bom, pasmem! Olha o cara aí na foto abaixo, pasmou!!!!!


Vamos ao carrinho de tortas do final. Tudo é bom, mas há uma inesquecível torta de uva. As uvas (tipo Isabel) estão todas lá com semente e tudo, bem molinhas e azedinhas, com um toque de vinho formando um recheio intenso de uma torta que tem a massa extremamente saborosa e leve. Algo bem rústico e campestre! Só pra sacanear vejam abaixo.

Curiosidade – A Origem do Café Colonial
Quando os primeiros imigrantes alemães vieram ao Brasil, suas casas eram muito longe umas das outras e por isso, as visitas entre eles eram raras. Dessa forma, quando os colonos se reuniam em uma casa, a dona dessa casa preparava tudo o que sabia cozinhar premiando os visitantes com muita fartura à mesa.

Em Nova Petrópolis, o café colonial surgiu na década de 1950, com a senhora Maria Hertel. Dona Maria oferecia a seus hóspedes um Chá das Cinco, mais tarde transformado em Café Colonial, que começou pelo boca-a-boca a fazer tanto sucesso que muita gente de outras cidades passou a visitá-la apenas para degustar as famosas delícias que ela preparava. A idéia pegou e muitas famílias da Serra Gaúcha começaram a oferecer Cafés Coloniais.

O Opa’s surgiu em 1986, quando o professor Gerald Kolb, querendo preservar a residência construída por seus pais em estilo bávaro, resolveu juntamente com a família transformá-la em Café Colonial como forma de preservar nesse local a cultura alemã por meio da culinária de da música. Sim, você fica escutando diversas músicas alemãs enquanto degusta o delicioso Café Colonial do Opa’s. Tem coisa melhor!!!!

www.cafecolonialopas.com.br

19 de Dezembro de 2007

Para que o pão nunca falte!

Foto: Cris Paz

Dizem que nessa época nasceu uma criança. Alguém que veio ao mundo para mudar vidas. Aliás, como todas as crianças que chegam, por cá. Mas essa parece que tinha uma missão diferente, mais profunda e sofredora. Cada qual tem seu credo e acreditar nessa história é o que menos importa. Se todas as cores fossem azul o mundo seria muito monótono. Mas crianças existem em todas as religiões e sua chegada sempre configura uma renovação. Pois bem, imagino essa criança na idade das perguntas. Pobres pais! Sempre no sufoco para saírem-se das esparrelas dos pequenos!

Criança: Pai, as pessoas são todas iguais?

Pai: Claro meu filho!

Criança: Não importa o país?

Pai: Não

Criança: Nem a religião?

Pai: Não

Criança: Nem a cor?

Pai: Não

Criança: Pai, os homens são melhores que as mulheres?

Pai: Claro que não! Somos apenas diferentes

Criança: E as crianças?

Pai: O que tem as crianças?

Criança: Elas também são iguais?

Pai: Sim, são iguais. Apenas, são mais novas e por isso devem escutar os adultos.

Criança: Se todos são iguais porque existem guerras?

Pai: Porque às vezes um país se sente ameaçado e precisa se defender.

Criança: Mas se ele defende é porque alguém atacou?

Pai: É

Criança: Não seria melhor se ninguém atacasse?

(e o Pai pela primeira vez ficou mudo)

Criança: Aqueles soldados, navios, aviões, tanques devem custar bem caro, né pai?

Pai: Uma fortuna!

Criança: Pai, porque tanta gente morre de fome no mundo?

Pai: Porque nem todo mundo tem o que comer

Criança: Por que?

Pai: Porque é pobre, não tem dinheiro.

Criança: Pai, porque é que não pegam toda essa fortuna que você falou que gastam na guerra e usam para que as pessoas que são pobres não morram de fome?

(e mais uma vez o pai não tinha o que dizer)

Criança: Porque eu não acho que sou igual às crianças que passam fome e sede. Eu como e bebo tudo o que você e a mamãe me pedem

(só restou ao pai esconder a lágrima)

Que nessas Festas possamos recuperar a nossa alma da infância que nunca nos abandonou, apenas está adormecida em algum lugar. Luz para todos! Obrigado por tudo.

Alessander

22 de Novembro de 2007

"Se podes olhar, vê. Se podes ver, repara."

A vida nos prega muitas peças. Por vezes pensamos: essa não vai dar! E no fim, tem que dar. Não há jeito. A danada da vida precisa seguir em frente, ao menos até o dia em que sua antagonista vier nos abraçar. Mas essas encruzilhadas do destino servem ao menos para uma reflexão. Como o ser humano é capaz de transformar em automáticas coisas tão divinas? É bom respirar, falar, ouvir, ler, comer, sentir o gosto, saborear. É bom escrever, ter amigos, papear, bater perna, parar para um café. Dormir, acordar, sonhar, sorrir, blogar. É muito bom viver! Acho que precisamos reparar melhor as coisas. Olhamos tudo, mas não temos visto quase nada.

Acabei de ler “Ensaio sobre a Cegueira” do Nobel de Literatura José Saramago. Esse dramaturgo lusitano não é nada menos do que brilhante. Em sua história apresenta o plausível, com uma literatura que vive uma ficção bastante real. Saramago torna a todos cegos. Cegos de uma cegueira branca. Uma cegueira bem às vistas do mundo atual. Entre citações geniais e uma construção precisa, o autor consegue embrulhar nosso estômago enquanto nos embaça olhos.

Quão felizes não ficam os cegos protagonistas do livro ao conseguirem tomar um simples copo de água mineral. E cada pedaço de comida é valorizado como se fosse o último. Acho realmente que o mundo de hoje carece de sentimentos. A água apenas passa pelas nossas gargantas. Agora fique com muita sede e depois beba. A água pode ser tudo, menos insípida.

E o alimento? Então apenas vivemos para comer ou comemos para viver? Não! O que é uma vida sem sabor? Não podemos apenas engolir. E a suculência do morango, da pera? E o gostinho do feijão e do arroz recém-preparados? O aroma dos temperos tão diferentes que nos fazem salivar? E a crocância do tomate, o derreter do chocolate, o cheirinho do café? Precisamos sentir, perceber, reparar em tudo. No que bebemos, comemos, nas pessoas....

Assim nos diz Saramago:

  • Se não formos capazes de viver inteiramente como pessoas, ao menos façamos tudo para não viver inteiramente como animais.

  • Provavelmente, só num mundo de cegos as coisas serão o que verdadeiramente são

  • O medo cega. Já éramos cegos no momento em que cegamos.

  • Quantos cegos serão precisos para fazer uma cegueira?

  • ...ainda está por nascer o primeiro ser humano desprovido daquela segunda pele a que chamamos egoísmo, bem mais dura que a outra, que por qualquer coisa sangra.

  • Dentro de nós há uma coisa que não tem nome. Essa coisa é o que somos.
P.S. Obrigado Dani pelo empréstimo de mais um livro que foi tão importante para mim

O diretor brasileiro Fernando Meirelles acabou de rodar, inclusive boa parte aqui em São Paulo, o filme Blindness baseado na história do livro. Quem tiver interesse em ler o blog das filmagens http://blogdeblindness.blogspot.com/

31 de Outubro de 2007

Yo no creo en brujas, pero que las hay, las hay!!!

Faço quantas travessuras forem necessárias para conseguir uma gostosura.

Mas porque o Halloween acontece em 31 de outubro? Bom, voltemos cerca de 2500 anos atrás. Lá estão os celtas na região da Grã-Bretanha e Irlanda comemorando a festa de Samhain, ou "fim do verão”. A colheita terminou e é hora de trazer os animais para o confinamento. Os dias ficarão cada vez mais curtos e o tempo cada vez mais frio. O ano velho morre e por isso é preciso apagar todo fogo. Novas fogueiras sagradas são acesas e sacrifícios pela revitalização do sol começam a acontecer até a chegada do novo verão.

A porta entre o mundo humano e o sobrenatural está aberta e espíritos bons e maus vagam pela terra. Comida e bebida para apaziguá-los e objetos assustadores para espantar esses fantasmas. Os celtas usavam caveiras, ossos decorados, abóboras enfeitadas entre outros.

Mas a criançada quer mesmo é encher o balde de guloseimas, o resto é resto. A igreja nem precisa mais ficar preocupada com esse ritual pagão que durante a Inquisição virou Dia das Bruxas e levou tantos à fogueira. Inclusive o Dia de Finados foi uma resposta católica para essa paganice da Europa Medieval.

25 de Outubro de 2007

Negócio da China

É, os italianos são os maiores difusores e criadores de pastas de tudo quanto é formato, mas são os chineses que inventaram (ao menos por enquanto) o macarrão. Em escavações realizadas em 2005 por cientistas chineses no sítio arqueológico de Lajia (um lugar cheio de história do passado da China tal como Pompéia é para os italianos) e relatadas para a revista científica Nature, foi encontrado dentro de uma vasilha um fio de macarrão amarelo com cerca de 50 cm de comprimento por 0,3 cm de espessura. O tal fio tem nada menos que 4 mil anos de idade, foi feito de milheto (uma espécie de milho) substituindo a farinha de trigo, amassado com água, trabalhado, cortado no formato desejado e depois cozido em água. Ou seja, é o registro mais antigo que se tem na história até os dias de hoje.

Por aqui foram os imigrantes italianos que trouxeram a pasta, que logo caiu no gosto do brasileiro. Hoje somos o terceiro maior produtor de macarrão do mundo, atrás apenas de Itália e Estados Unidos. Em consumo estamos longe dos habitantes da Bota que acolchoam o estômago com 28kgs por habitante ano, enquanto comemos míseros 5,8 kgs.

A massa é um dos ingredientes mais democráticos que conheço. Pega uma boa massa de qualquer formato, cozinha em água fervente, sem deixar ficar molenga e sirva com a cobertura que achar melhor. Se aparece mais gente é só botar mais água na fervura e despejar outro pacote.

Eu, tenho uma receita vapt-vupt – azeite, refoga rodelinhas de alho-poró, pica uma linguiçinha das bem boas, um tanto de alecrim, pedacinhos de azeitona preta carnuda e saborosa (uso as chilenas compradas à granel numa mercearia perto de casa). E despeja sobre a massa. Parmesão ralado, mistura, prato e estômago bem abastecido.

Mas porque fui falar disso hoje? 25 de outubro é Dia Mundial do Macarrão desde o 1° Congresso Mundial da Pasta que aconteceu em Roma em 1995, reunindo fabricantes de diversos países.

9 de Outubro de 2007

Eis o Santo!

É verdade Lilian, falei do milagre, mas não disse o santo. Achei seu comentário muito importante e por isso vi que merecia um novo post. O livro pode ser comprado pelo site da editora
Livro:"Ciclo de Vida de Embalagens para Bebidas no Brasil"
Autora: Renata B.G. Valt
Editora:Thesaurus Editora
http://www.thesaurus.com.br/



Uma das principais conclusões do livro: alumínio é a melhor opção ambiental, já que a reciclagem do material ultrapassa os 95%, contra 47% do PET e 45% do vidro.


Elaborado como tese de mestrado na Universidade Federal do Paraná, o trabalho foi atualizado recentemente, com base nas taxas de reciclagem de 2005 e utiliza o método Eco-Indicador 95, que adota como categorias de impacto ambiental o aquecimento global, a eutrofização (adição de nutrientes à água), a acidificação (transformação de gases emitidos para o ar em elementos ácidos) e o efeito fotoquímico (reação entre compostos orgânicos voláteis e outras substâncias, formando compostos oxidantes, que causam irritação das vias respiratórias), entre outros.

3 de Outubro de 2007

Olha o óleo!

É lindo ver a água jorrando, né? Então façamos a nossa parte porque se a Mãe Natureza fosse de carne e osso estaria a puxar orelhas e dar sopapos aos montes por aí. Muitos, já sabem, mas para quem nunca ouviu falar: sabe o óleo da fritura que depois das inúmeras coadas você resolve jogar fora? Pois é. Sabia que ele não evapora, não se teletransporta para outra dimensão assim que desce pelo ralinho da pia? Então! Ele simplesmente tem um poderzinho danado de contaminar na proporção de 1 para 1 milhão. Ééééé'! Um mísero litro de óleo contamina 1 milhão de litros de água. Ó vida! Ó céus! Ó Lipe! Ó Azar! O que é que eu faço agora? Como diria Chapolim Colorado: Não priemos cânico! É só pegar uma garrafa plástica, colocar o óleo usado, tampar direitinho e entregar num posto de coleta. Aí é que está a novidade desse post. Eu não sabia, mas vi hoje um anúncio do Pão de Açúcar que ele em parceria com a Unilever estão coletando óleo de cozinha, que posteriormente será doado a uma cooperativa que vai transformá-lo em biocombustível. A lista de lojas: Borba Gato • Brooklin • Real Parque • Morumbi • Pedroso • Portal • Ricardo Jaffet • Santo Amaro • Carneiro da Cunha
Parabéns Pão de Açúcar pela iniciativa. Que ela se expanda para todas as lojas e pegue também as outras bandeiras da rede. Agora e vocês: Carrefour, Wal-Mart, Sonda, Mambo, etc. E os fabricantes de óleo? E você Cargill? Vão deixar a água..ops! o óleo correr solto?
Não sei aonde o leitor está, mas por favor, procure informar-se sobre postos de coleta e ajude a divulgar essa idéia. Aproveite para reciclar também todo o seu lixo. Custa bem menos do que as consequências que já sofremos por nossa imprudência durante todos os anos.
Se alguma empresa aqui citada quiser contar para nós o que anda fazendo nesse sentido, ou algum leitor(a), tenha dica de postos de coleta ou outras informações que ajudem na melhora do nosso pequeno mundinho chamado Terra; por favor poste um comentário.

1 de Outubro de 2007

As batatas estão fritas na Casa Rosada

Deu no Estadão de sábado: “Batata na Argentina é questão de Estado”. Pois é, pessoal a máxima machadiana citada em seu romance Quincas Borba: “Ao vencedor, as batatas” nunca foi tão apropriada. Nesse caso a alta do preço da batata (que para os argentinos corresponde ao arroz de cada dia brasileiro) tem levado Néstor Kirchner a puxar seu nariz e sua esposa Cristina a carregar no laquê.


A batata está quente e os argentinos revoltados. O tubérculo subiu 115% nesse ano e os Kirchner, não conseguem maquiar mais os índices de inflação. Se Cristina não se eleger é porque foi vencida por um tubérculo. Ou seja: “À perdedora, nada de batatas” (desculpe caro visionário Machado de Assis)


Na forma de purê ou frita (papas fritas) os argentinos consomem per capita/ano 45 kg de batata (para se ter uma idéia no Brasil o consumo é de 14 kg per/capita). Nos restaurantes argentinos a típica tortilla (fritada preparada com batatas e de origem espanhola) é vendida a U$5, mais cara que o bife de chorizo que custa U$4. Pode? Na América Latina tá podendo de tudo!


RECEITA BÁSICA DE TORTILLA DE BATATA
Fazer tortilla de batata é bico (mas faça no Brasil porque na Argentina tá caro) – pegue algumas batatas descasque corte em rodelas finas. Frite em azeite até dourar. Tire da fritura e seque bem, ponha um pouco de sal. Refogue em azeite um pouco de cebola picadinha até ficar transparente. Separe as cebolas. Bata uns ovos. Junte: batatas, cebolas e ovos e volte para a frigideira com um fundo de azeite. Como com omeletes, tampe deixe fritar bem e depois ponha um prato na boca da frigideira e vire a tortilla. Aí, escorregue ela de volta para a frigideira para terminar de fritar. Fique à vontade para temperar como quiser e acrescentar o que quiser. Vale tudo porque é batata e ovo! E os puristas que se torturem!Curiosidade
Com o romance Quincas Borba publicado em 1891, Machado de Assis, que em 2008 completa 100 anos de ausência, explica detalhadamente o Humanitismo – filosofia de vida formulada por Quincas Borba em Memórias Póstumas de Brás Cubas. Eis trecho do livro:
"– Não há morte. O encontro de duas expansões, ou a expansão de duas formas, pode determinar a supressão de uma delas; mas, rigorosamente, não há morte, há vida, porque a supressão de uma é a condição da sobrevivência de outra, e a destruição não atinge o princípio universal e comum. Daí o caráter conservador e benéfico da guerra. Supõe tu um campo de batatas e duas tribos famintas. As batatas apenas chegam para alimentar uma das tribos, que assim adquire forças para transpor a montanha e ir à outra vertente, onde há batatas em abundância; mas, se as duas tribos dividirem em paz as batatas do campo, não chegam a nutrir-se suficientemente e morrem de inanição. A paz, nesse caso, é a destruição; a guerra é a conservação. Uma das tribos extermina a outra e recolhe os despojos. Daí a alegria da vitória, os hinos, aclamações, recompensas públicas e todos os demais efeitos das ações bélicas. Se a guerra não fosse isso, tais demonstrações não chegariam a dar-se, pelo motivo real de que o homem só comemora e ama o que lhe é aprazível ou vantajoso, e pelo motivo racional de que nenhuma pessoa canoniza uma ação que virtualmente a destrói. Ao vencido, ódio ou compaixão; ao vencedor, as batatas." [Síntese do Humanitismo feita por Quincas a Rubião]

http://pt.wikipedia.org/wiki/Quincas_Borba

28 de Setembro de 2007

Alecrim e Coentro Futebol Clube - Quem ganha essa peleja?

Ontem foi noite blogueira chique! Lançamento do livro da Tatu Tatiana Damberg Mixirica (tudo não necessariamente na mesma ordem). Lá estavam: eu, a Cris e a Dani - blogueiro que prestigia blogueiro tem 100 anos de perdão! A autora, sabiamente, linkou as receitas nordestinas com os cordéis tão tradicionais da região. O Cordel dos Básicos abre-alas à peleja e anuncia, de forma sublime, o sentimento que nutre a todos nós que escrevemos sobre a arte de reunir amigos e comer bem. Com sua licença Tatu!

Cordel dos Básicos

Todo mundo quer comer
isso é simples assim.
Mas tem que saber fazer
ou sai comida ruim.
Não é só um mata-fome.
Não é só o que se come.
O convívio é o fim.
Todos juntos a sentar
isso é ritual antigo,
vem de antes do falar
vem de saber ser amigo.
Se juntar à refeição
mostra socialização
para repartir o trigo.

Muitos sabem cozinhar
aprendendo em família,
mas não deve se avexar
quem não tem essa valia.
Basta uns básicos saber
ter a receita pra ler
e testar o dia-a-dia.

A cozinha do Brasil
ela é rica por demais
sempre rende glórias mil
para aquele que lhe faz.
Por isso não tenha medo
cozinhar não tem segredo
é fazer e ser um ás.

O livro já pode ser encontrado no catálogo da Livraria Cultura. Quem é de fora do Brasil, não sei como pode comprar. Mas perguntem à Tatu Tatiana Damberg Mixirica (tudo não necessariamente na mesma ordem). - http://www.mixirica.com.br/

Curiosidade
A literatura de cordel é um tipo de poesia popular, originalmente oral, e depois impressa em folhetos rústicos expostos para venda pendurados em cordas ou cordéis, o que deu origem ao nome. São escritos em forma rimada e alguns poemas são ilustrados com xilogravuras, o mesmo estilo de gravura usado nas capas. As estrofes mais comuns são as de dez, oito ou seis versos. Os autores, ou cordelistas, recitam esses versos de forma melodiosa e cadenciada, acompanhados de viola.
http://pt.wikipedia.org/wiki/Literatura_de_cordel

26 de Setembro de 2007

Ah, vá caçar fungos ô!!!

É um xingamento? É uma ofensa? É um avião? Não é uma sugestão! Falo de um fungo comestível que vale ouro: as trufas! Um tipo de cogumelo subterrâneo com sabor e aroma extremamente marcantes que cresce principalmente junto às raízes do carvalho, álamo, salgueiro, tília, carpino e aveleira.

Existem trocentos (leia-se muitos), tipos de trufa. Mas duas fazem a alegria do povo (rico é claro!) a “truffe noire” (faça biquinho para falar trufa negra em francês) da região do Périgord (França) e o “tartufo bianco” (trufa branca – chacoalhe os braços para falar em italiano) da cidade de Alba.

Um trifulau (o caçador de trufas italiano, na França ele chama trufficulteur – não esqueçam do jeito que ensinei a pronunciar, hein!) pode ganhar na temporada (outubro a dezembro) algo como 20 mil euros. Não paga impostos (Êba!), mas precisa de registro e de um cão bem treinado. Sim, porque o cara embolsa a grana, mas quem funga no chão é o bichano do faro dourado. É como se você treinasse seu cãozinho para achar ouro enterrado. Por isso que se trata de uma caçada.

Agora chegue seus olhos mais perto da tela do micro. Essa caçada é um negócio secreto! Acontece na calada da noite. Na madrugada, embrenham-se, sorrateiramente, o caçador e seu cãozinho, mata adentro. Ninguém pode segui-los e o motivo é bem simples: em terreno que se acha trufas num ano, acha-se sempre, ou seja, o tesouro esconde-se todos os anos no mesmo lugar. Só na beira da morte os caçadores entregam o mapa da mina e mesmo assim, só pra aquele que chorar muito em volta do futuro finado.

Antigamente caçava-se com o porco, o problema é que o bichano (revoltado por seus parentes serem feitos à pururuca em certas ocasiões) gostava tanto do fungo que comia. E já viram, né? Era porco com dono rolando ribanceira abaixo! Cães são mais obedientes. Ao menos sabem que uma maçã na boca não os espera em determinado momento da vida.

Vamos aos negócios! Algo bem camarada. O preço do quilo desse cogumelo é alucinógeno! O tartufo bianco de Alba vendido “in loco” pode passar de 4 mil euros o kg! E numa loja de produtos gourmet atinge a bagatela de 7 mil euros o kg! Pela mãe do guarda! Quero uma barraquinha dessas já! As trufas francesas do Périgord são mais baratas, normalmente, custam 1/5 desse valor. E já que o preço é alucinógeno, porque não curtirmos esse barato. Vamos todos (ao menos virtualmente) a 77ª Fiera del Tartufo Bianco D’Alba.


Curiosidades:

1. A trufa de chocolate foi inspirada na trufa (fungo). A receita original tem a massa de chocolate disforme (tal qual vemos na natureza) e é recoberta de chocolate em pó (que lembra a terra, de onde sai a trufa natural).

2. Tartufo (Le Tartuffe) é também uma comédia teatral do genial dramaturgo francês Molière. Exibida pela primeira vez em 1664, a peça foi censurada. O personagem-título era um falso devoto religioso retratado como um hipócrita e dissimulado. Capaz de mentir, roubar, fraudar, especular, transgredir normalmente com o único objetivo de granjear mais privilégios. E tudo em nome de Deus. A palavra “tartufo” virou sinônimo desse tipo de indivíduo. Engraçado, acho que vi um tartufo outro dia, era um político que se escondia atrás da imagem de uma santa.

"Não há nenhum pecado se pecar em silêncio" (Tartufo, IV, 5)

5 de Setembro de 2007

É por isso que ele nos leva para as nuvens

Eu nunca vi muita utilidade na política, nos políticos então...bom deixa prá lá. Mas, pesquisando descobri ao menos uma coisa útil. É de 1945, mas vai prestar para sempre. Nesse ano, na disputa pela presidência do Brasil entre os candidatos estavam o general Eurico Gaspar Dutra e o brigadeiro Eduardo Gomes. Para vencer o apoio getulista a Dutra, Gomes precisava fazer alguma coisa.
Bom, dizem as línguas das candinhas de plantão na época que o brigadeiro Eduardo Gomes era um pedaço de mal caminho. Era alto, loiro, olhos azuis e conquistou um grupo de mulheres do bairro do Pacaembu (aqui na Zona Oeste de Sampa). As Desperate Housewives resolveram organizar festinhas para ajudar na campanha. Quanto patriotismo, né? Então, alguma das moçoilas (talvez a mais afoita) teve a idéia de misturar leite condensado, manteiga e chocolate em pó, fazendo um docinho para distribuir durante a campanha eleitoral de Eduardo Gomes. Boa essa forma de comprar voto, não? Pelo menos pra nós saia mais barato que a loteação de cargos e os superfaturamentos de obras inexistentes tão em voga nos dias de hoje.
Mas, voltando à vaca fria. O nome do docinho virou a patente de Eduardo Gomes: Brigadeiro. O lema da campanha também era fofo: "Vote no brigadeiro, é bonito e é solteiro". Ou seja, desde que o mundo é mundo em todas as eleições, qualquer bobagem conta mais para o povo do que a capacidade de um cidadão para assumir um cargo Executivo ou Legislativo.
No frigir dos ovos, o Brigadeiro Eduardo Gomes foi o melhor não Presidente da República que o Brasil já teve, seu legado ficou para sempre. Queria poder me lembrar de outras coisas boas que alguns Presidentes fizeram. Bom, prometo pensar muito. Enquanto isso: "Salve o Brigadeiro, ele é docinho e eu como inteiro"

4 de Setembro de 2007

Doce Lembrança


Mais uma vez era véspera de seu aniversário. Ela nasceu numa data tão importante que até a Pátria parava em comemorações. E nós, novamente reunidos em torno daquela panela tão gasta pelas inúmeras raspadas dos anos, tínhamos os olhos vidrados naquele creme espesso de cor marrom caramelo. As forminhas já abertas lutavam por seu espaço nas bandejas. Sim, bandejas, porque era uma festança!

E lá ia a minúscula colher de café rumo ao centro do tão utilizado recipiente. Sobe o primeiro naco, pequeno e ainda disforme. Mas logo vem o dedo, a palma da mão e a forma já é redonda, uma bolinha pronta para deslizar na grama de chocolatinhos. Eu cuidava de rolar a pelota no saboroso campo e finalizava a peleja nos recipientes de papel, já bem dispostos no estádio arredondado de metal. Algumas bolotas escapavam das forminhas e entravam por outro canal que mais me apetecia. Lá vinha bronca, e depois sorriso diante de minhas desculpas esfarrapadas.

Ela se foi em outra data comemorativa, mas como era importante a tia Cida, merecia mesmo os dois feriados. Embora não tivesse filhos, foi a única mãe que conheci. Há mais de doze anos, eu não provo esse brigadeiro, mas o sabor dessa lembrança: jamais vou esquecer!